Publicação destinada à psicólogos, psicanalistas, psiquiatras e estudantes   
Tema: Psicologia Clínica 4.0 > Texto: 04  


Por Alexandre Liber  
13 de Janeiro de 2025  


Antes de mergulharmos nas definições formais da Inteligência Artificial (IA), vale a pena revisitarmos as origens dessa fascinante jornada científica. Surpreendentemente, o interesse por essa área remonta ao século XIX, quando a matemática britânica LADY ADA LOVELACE (1815–1852) vislumbrou um futuro extraordinário. Em 1843, ao trabalhar com o motor analítico de Charles Babbage, Ada previu que as máquinas poderiam ir além de cálculos matemáticos, criando, por exemplo, peças musicais complexas e representando aspectos do mundo natural. Sua visão foi pioneira, lançando as sementes para o que hoje chamamos de IA.

Avançando para os anos 1930, encontramos outro gigante da história: ALAN TURING (1912–1954). Turing teorizou que todo processo computacional poderia ser executado por um sistema matemático baseado no código binário, conceito que deu origem à famosa "Máquina de Turing". Na década de 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, ele liderou a criação do primeiro computador funcional do mundo, uma máquina eletromecânica projetada para decifrar mensagens criptografadas nazistas. Sem saber, Turing estava construindo as bases da Inteligência Artificial, mesmo que o termo ainda não existisse.

Foi apenas em 1956 que a expressão "Inteligência Artificial" surgiu, cunhada por JOHN MCCARTHY (1927–2011) durante um workshop na Dartmouth College, nos Estados Unidos. A ideia era clara: descrever a capacidade das máquinas de realizar tarefas que demandassem habilidades cognitivas humanas. Embora o conceito fosse revolucionário, os avanços iniciais foram modestos, limitados por recursos tecnológicos da época.

A grande virada começou nos anos 1980, com o progresso das Ciências da Computação. A partir dos anos de 1990, a IA encontrou aplicações práticas, inicialmente em sistemas especializados, como buscadores da internet e robótica industrial. Gradualmente, essas inovações se integraram ao nosso cotidiano. Pensemos em ferramentas que hoje são indispensáveis: aplicativos de navegação por GPS, assistentes pessoais como Siri e Alexa, e soluções avançadas como o ChatGPT.

Esse desenvolvimento não aconteceu isoladamente. Ele foi impulsionado por demandas históricas, como a guerra, e por uma curiosidade intelectual que conecta diferentes áreas do conhecimento, desde a matemática até a neurociência. Hoje, a IA reflete tanto nosso desejo de compreender o funcionamento da mente humana quanto nossa ambição de criar ferramentas que ampliem nossas capacidades.

Essa história é mais do que um relato sobre máquinas; é um testemunho de como a imaginação humana pode moldar o futuro. Estamos diante de uma tecnologia que evolui a passos largos, transformando o mundo em que vivemos e nos desafiando a pensar: qual será o próximo capítulo dessa jornada?


Referência:

FÜRST, Maria Eduarda; BÜRGER, Marcelo L. F. de Macedo. Inteligência Artificial: conceitos introdutórios e algumas de suas aplicações. in: EHRHARDT JÚNIOR., Marcos; CATALAN, Marcos; NUNES, Cláudia Ribeiro Pereira (Coord.) Inteligência Artificial e relações privadas: possibilidades e desafios. Belo Horizonte: Editora Fórum, 2023. v. 1. Disponível em: https://amzn.to/4dC0Blw . Acesso em: 13 Jan. 2025.