ATUAIS APLICAÇÕES DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA SAÚDE, SEGUNDO A OMS
Publicação destinada à psicólogos, psicanalistas, psiquiatras e estudantes
Tema: Psicologia Clínica 4.0 > Texto: 08 
Por Alexandre Liber
05 de Fevereiro de 2025
Como vimos no texto anterior, o guia “Ética e Governança da Inteligência Artificial para a Saúde” da Organização Mundial da Saúde (OMS) nos fornece um panorama aprofundado das aplicações da IA, suas promessas e desafios, e reforça a necessidade de um olhar crítico e ético sobre essa revolução tecnológica. O presente texto baseia-se especificamente no Capítulo 3 (Aplicações da Inteligência Artificial para a Saúde) do referido documento.
A IA tem desempenhado um papel crescente no DIAGNÓSTICO E NA PREVISÃO DE DOENÇAS, sendo utilizada para analisar exames de imagem, identificar padrões em grandes volumes de dados clínicos e oferecer suporte à decisão médica. Modelos avançados já demonstraram potencial para detectar câncer, doenças cardiovasculares e até mesmo prever complicações antes que se manifestem. No entanto, a OMS alerta que muitos desses sistemas ainda carecem de validação clínica rigorosa, o que pode comprometer sua eficácia e segurança quando aplicados a diferentes populações e contextos.
No campo do CUIDADO CLÍNICO, a IA tem sido usada para integrar informações médicas, monitorar pacientes e otimizar tratamentos. Isso tem gerado um novo paradigma, no qual a tomada de decisão é cada vez mais compartilhada entre humanos e máquinas. A questão central que se impõe, no entanto, é como garantir que essa interação respeite a autonomia dos pacientes e preserve a relação terapêutica. O guia da OMS enfatiza a necessidade de manter a supervisão humana e evitar o fenômeno da "automação cega", no qual os profissionais de saúde delegam decisões críticas a algoritmos sem a devida verificação.
Outro campo que tem se beneficiado amplamente da IA é a PESQUISA EM SAÚDE E O DESENVOLVIMENTO DE MEDICAMENTOS. Ferramentas de aprendizado de máquina estão sendo utilizadas para identificar padrões em registros eletrônicos de saúde, prever desfechos clínicos e otimizar práticas médicas. Além disso, a IA está revolucionando a descoberta de novos fármacos e a personalização de tratamentos, acelerando processos que antes demandavam anos de experimentação e análise.
Enfim, o avanço da IA no setor da saúde é inegável e representa uma oportunidade única para aprimorar diagnósticos, tratamentos e a gestão de sistemas de saúde. No entanto, sua implementação deve ser conduzida com responsabilidade, garantindo que a supervisão humana continue a desempenhar um papel central e que princípios éticos sejam respeitados.
A adoção da IA na saúde não pode ignorar desafios como a privacidade de dados, o viés algorítmico e a necessidade de regulamentações claras. O compromisso com a equidade no acesso às tecnologias deve sempre guiar seu desenvolvimento para que os benefícios dessa ferramenta alcancem todas as populações, independentemente de seu contexto socioeconômico.
Referência:
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Ethics and governance of artificial intelligence for health: WHO guidance. Geneva: World Health Organization, 2021. Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/341996/9789240029200-eng.pdf?sequence=1 . Acesso em: 05 fev. 2025.
